Inclusão no Audiovisual: Saiba como é feita a LSE

Postado em 13/03/2020



A Legendagem para Surdos e Ensurdecidos (LSE) é voltada para a inclusão das pessoas que apresentam algum grau de deficiência auditiva. 

Você sabia que existem legendas próprias para pessoas que apresentam deficiência auditiva? Essa modalidade está ganhando cada vez mais espaço nas discussões da área de Estudos da Tradução, isso porque a pauta da acessibilidade tem ganhado cada vez mais espaço na sociedade. 
No geral, a legenda é a transcrição de produções audiovisuais, como por exemplo: filmes, programas de televisão ou vídeos online. Geralmente, facilitam ao telespectador o entendimento das produções em outras línguas. Porém, existem duas modalidades da legendagem que dizem respeito à inclusão de pessoas com graus de deficiências visuais e auditivas: a LSE e a AD.
 
Nesta matéria, vamos nos aprofundar um pouco mais nas particularidades da LSE. Vamos juntos?
 

O que é LSE?

LSE, legenda descritiva, legenda oculta ou closed caption, todas essas denominações se referem a uma modalidade de legendagem que visa à inclusão de pessoas com graus de deficiência auditiva, quer dizer, elas são diferentes daquelas legendas abertas, destinadas aos ouvintes, que apenas traduzem as falas das personagens, mas que não tem informações sonoras, por exemplo. 
Já as legendas acessíveis para surdos e ensurdecidos são aquelas que apresentam a identificação de personagens e informações sobre os sons. No geral, é a tradução escrita das cenas de uma produção.
 

Como é feita a LSE?

É importante destacar que a Legendagem para Surdos e Ensurdecidos envolve linguística, seguindo as formas de gramática, sintaxe e pragmática e técnica, que são desenvolvidas nos cursos de especialização de tradução. Sobre os aspectos técnicos, temos uma padronização-base: as legendas descritivas devem aparecer em três ou mais linhas, com a identificação de quem fala seguida da tradução das falas e dos sons.
 
Para além desses aspectos, ainda temos teóricos que discutem qual é o número de palavras por minuto que melhor se adequa à experiência dos telespectadores. De todo modo, vai depender muito do parâmetro de legendagem que está em vigor, que pode variar de local para local.
 
Segundo o professor Stephan Hughes, docente do curso de Tradução Audiovisual de Inglês da São Camilo, “o tradutor tem como um dos objetivos de atuação o de transpor a barreira natural existente entre um meio e outro, propiciando o entendimento entre falantes de idiomas distintos. Em um mundo cada vez mais inclusivo, tanto o tradutor como o intérprete se veem incumbidos em adquirir conhecimentos em novas línguas ou linguagens e demonstrar competência em alcançar seu interlocutor. A linguagem dos surdos e ensurdecidos passa a ser mais uma poderosa ferramenta nas mãos desses dois profissionais de comunicação, pois amplia o escopo de sua atuação.”
 
E conclui, “é como declara Ludwig Wittgenstein: ‘os limites da minha linguagem denotam os limites do meu mundo’”.
 
professor