“Quem questiona o risco do consumo de carne processada se equivoca”, alerta ex-executivo da OMS

Postado em 13/01/2020



Há mais de 15 anos, o médico e epidemiologista alemão Kurt Straif dirigiu o programa de relatórios da Agência Internacional de Pesquisas sobre o Câncer, a IARC, ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS). A IARC é responsável por avaliar o potencial cancerígeno de substâncias suspeitas de causar ou aumentar o risco de desenvolvimento de câncer. A principal função de sua equipe internacional de especialistas é revisar a solidez de constatações científicas, porém, seu trabalho não testa em que medida os agentes considerados de risco podem ser perigosos, nem mesmo emite recomendações.

Durante seu trabalho no órgão, Straif publicou relatórios considerados polêmicos, inclusive um que declarava a carne processada como um cancerígeno confirmado para humanos. Straif é reconhecido internacionalmente por seu trabalho, chegando a receber o Integrity Award da Sociedade Internacional de Epidemiologia Ambiental (ISEE). Hoje, aposentado, ele vive em Barcelona e atua como pesquisador associado ao Instituto de Saúde Global.

Em 2019, a revista científica Annals of Internal Medicine publicou cinco revisões científicas sobre o consumo de carne vermelha e processada. Seus autores concluíram que o consumo dessa carne não traz riscos importantes para a saúde e rejeitaram a recomendação da OMS de reduzir o seu consumo, indo completamente contra as pesquisas e recomendações de Straif.

Em entrevista ao site EL PAÍS, Straif se posicionou a respeito dos artigos publicados pela Annals of Internal Medicine, declarando que não estava de acordo com a interpretação dos dados e que os autores subvalorizaram a evidência de estudos observacionais de grande importância. “Em uma análise epidemiológica de câncer, é importante ter um alto constraste de exposição ao agente para apreciar seu efeito. Nesse caso, seria preciso comparar um grupo de pessoas que não consomem carne processada com outro grupo que consome muita carne processada, além de algum grupo intermediário, para estabelecer uma boa análise dose-resposta”, declarou Straif.

Ele ainda ressalta que nos estudos experimentais que as publicações consideram, as diferenças entre o grupo exposto e o grupo que não recebeu carne processada são pequenas. Ele também complementa que, para fazer isso bem, seria preciso estudar durante muito tempo o efeito dessa dieta específica, e não há nenhum ensaio clínico nesse caso que dure tanto tempo e com um alto contraste na exposição dos grupos. É por isso que Straif acredita que os resultados são equivocados.

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Fonte: El País